terça-feira, 14 de junho de 2011

A CAMINHO DE EMAÚS




Lucas 24.13-35

Emaús- “fonte ou águas quentes”; “águas termais”; “banho quente”; “busca de conselho”.

Quem é que nunca construiu inúmeros planos baseado numa perspectiva praticamente infalível?
Quem é que já não se viu diante da grande possibilidade de ter a sua vida mudada, e diante disto alimentava sonhos que a qualquer momento se concretizariam?
Quem nunca olhou para alguém, e no seu coração não passou a alimentar a expectativa da felicidade abundante?
Acredito que isto não nenhuma novidade para nós. Pois vivemos planejando nosso futuro, estabelecendo alvos, apostando em pessoas, esperançosos que a qualquer momento se concretize em nossa vida o que tanto almejamos.
Pois bem, isto também era presente na vida daqueles que conheceram a Jesus de Nazaré. A partir do momento que descobriram Nele a possibilidade de ter suas vidas mudadas, passaram a segui-lo, confiar Nele e depositaram toda a esperança naquele tão amoroso homem.
O que eles não contavam é que o caminho que eles passaram a percorrer em companhia de Jesus, não era o caminho sonhado por eles. Os pensamentos que passaram a alimentar, não eram os mesmos pensamentos que Jesus tinha com relação a eles (Isaías 55.8,9 Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.).
Aqueles homens e mulheres cansados do jugo romano que já se prolongava, viram em Jesus a possibilidade de liberdade, vitória e recomeço. É evidente que Jesus tinha como propósito oferecer tudo isto e ainda mais (Jeremias 29.11 Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança.Efésios 3.20 Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera,) não só a eles, mas a todos quanto o ouvindo aceitassem suas palavras. Assim como o que Jesus tem em relação a cada um de nós, algo excelente e que sempre irá nos surpreender.
No texto do evangelho escrito por Lucas que tenho feito citação, está narrado o acontecido com dois dos discípulos de Jesus, que após todos os acontecimentos envolvendo a prisão, sofrimento, julgamento e crucificação de Jesus, tomam caminho de volta para o lugar da sua habitação, Emaús, que conforme cita Lucas, distava aproximadamente 12 km de Jerusalém. O que quero destacar não é apenas o retorno deles, mas o estado em que eles se encontravam enquanto retornavam. Não por acaso que foram surpreendidos com uma palavra de repreensão por aquele acompanhante aparentemente estranho.
De maneira tão precipitada se despojaram de toda alegria que alimentavam, renunciaram a esperança fundada em Jesus e passaram a se comportar tão repreensívelmente, que não restou outra opção a Jesus se não questionar a fé daqueles discípulos.
O que está acontecendo, será que não há mais possibilidades, o que aconteceu com a expectação de triunfo? (Romanos 8.31 Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?)
Para os dois discípulos além de compreenderem o propósito de Deus, procuraram rapidamente um escape, Emaús. Era mais perto, quem sabe não seria um bom lugar para aquecer-lhes o coração que havia sido esfriado diante das circunstâncias que aparentavam totalmente adversas? Foi então que mais uma vez fez à diferença a longanimidade, a misericórdia, o cuidado e o amor de Jesus que acabara de ser manifesto na cruz plenamente (Romanos 5.8 Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós.).
Jesus como quem não quer nada, mas desejando maravilhas, se aproxima, chegou bem perto e abordou os dois homens, questionando-lhes aquele estado de desolação, para surpresa daqueles homens que não sabiam que a maior surpresa estava por se revelar. O suposto peregrino queria saber de tudo, a algo familiar nesta atitude de Jesus para com aqueles discípulos em relação a nós? Talvez ainda não percebemos, mas Jesus pode estar mais perto do que imaginamos (João 4.25,10,26 Replicou-lhe a mulher: Eu sei que vem o Messias (que se chama o Cristo); quando ele vier há de nos anunciar todas as coisas. Respondeu-lhe Jesus: Se tivesses conhecido o dom de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe terias pedido e ele te haveria dado água viva. Disse-lhe Jesus: Eu o sou, eu que falo contigo.).
Sem tomar conhecimento relataram ao próprio Jesus toda a decepção que os forçava a sair de Jerusalém, assim como nós, somos orientados a compartilhar com o Senhor as nossas ansiedades de maneira a alcançar verdadeiro descanso, verdadeira paz (Filipenses 4.6,7Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças; e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.).
Talvez esperassem por consolo naquele momento por parte daquele desconhecido, talvez fosse este o motivo de se retirarem para Emaús, mas o que receberam merecidamente foi mesmo uma palavra de repreensão. O Senhor Jesus passa a confrontá-los com as Escrituras Sagradas com propósito de recuperá-los, desejando que retornassem de onde jamais deveriam ter saído (Lucas 24.32 E disseram um para o outro: Porventura não se nos abrasava o coração, quando pelo caminho nos falava, e quando nos abria as Escrituras? Hebreus 4.12 Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.). A palavra estava tão interessante que se esforçaram no exercício da hospitalidade para com certeza continuar ouvindo um pouco mais daquele lenitivo para a alma. Eles pensaram que o descanso, que o consolo estaria talvez em Emaús, mas o verdadeiro consolo está apenas em Jesus. Por isso somos levados assim como aqueles discípulos a entender que não há outra fonte de descanso além de Jesus, ainda que seja bem planejada, articulada, remunerada. Diante das condições sufocantes que enfrentamos neste mundo, é só Jesus (Salmos 24 Se não fora o Senhor, que esteve ao nosso lado,... O nosso socorro está no nome do Senhor, que fez os céus e a terra.”).
Estando o Senhor Jesus já da casa dos discípulos, tomou conta da situação, pois em ordem as coisas e se deixou revelar-lhes. Ao que caindo em si, recobraram ânimo ao ponto de deixarem imediatamente aquele lugar e retornaram para Jerusalém, pois agora precisavam não mais lamentar, mas compartilhar da nova que fora lhes revelado. Somente Jesus é capaz de colocar todas as coisas no seu devido lugar, só Ele acalma tempestade e mar, só Ele é capaz de proporcionar alimento para todos de maneira suficiente, só Ele pode com autoridade e propriedade promover a paz, a verdadeira paz, que o mundo não conhece.
Antes de tomarmos qualquer decisão, consultemos a Jesus. Para aqueles discípulos e tantos outros servos e servas houve retorno, mas não devemos nos precipitar a ponto de acabarmos comprometendo toda nossa vida. O que realmente precisamos não está fora dos limites impostos pelo Senhor, mas debaixo das suas asas estamos seguros, independente da agitação que esteja ocorrendo.




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