sábado, 6 de agosto de 2011

Centenário e Terceira Via: o que têm em comum?




 Centenário das Assembleias de Deus no Brasil já é história. Qualquer análise que se faça agora corre o risco da parcialidade. Ainda estamos sob o calor das comemorações e à sombra dos episódios que marcaram as etapas de preparação para os eventos. Qualquer consideração feita daqui a cinco ou 10 anos certamente terá a isenção necessária para melhor emitir juízo de valor. O tempo coopera para dissipar dúvidas, apurar dados, filtrar informações, ajuntar peças e, com isso, produzir uma análise mais racional. Mas não posso postergar a minha avaliação até porque tomei a atitude de ficar distante das celebrações pelos motivos já conhecidos, o que me dá alguma isenção para dizer o que penso sem deixar de ser fiel aos fatos. Uma razão a mais é que estamos prestes a ver o início de outro processo: a deflagração das articulações para a escolha do novo presidente da CGADB em 2013. Não há como dissociar o Centenário das eleições. Ambas as coisas se interconectam.

Não discuto aqui a legitimidade de a Igreja-Mãe ter promovido a sua comemoração. Nada mais justo que os irmãos de Belém celebrassem a data. Direito liquido e certo. Sempre defendi isso. Foi ali que, por direção de Deus, aportaram os dois pioneiros, Gunnar Vingren e Daniel Berg, para plantar a semente das boas novas e lançar as bases do movimento pentecostal, que depois se espalhou por todo o Brasil. Quem conhece a história sabe quantas lágrimas foram derramadas, quantas perseguições enfrentadas, quantos percalços ultrapassados para que a obra prosperasse e alcançasse todos os rincões do país. Tenho as minhas reservas quanto ao uso de fogos de artifício, gelo seco e ao nome de um ou outro pregador, mas este não é o nosso assunto. O ponto é que a celebração era legítima.

A grande pergunta que me fazem, no entanto, é se a ida dos pastores Samuel Câmara e Firmino Gouveia às celebrações da CGADB uma semana antes, em Belém, bem como a presença do Presidente da CGADB, juntamente com a Mesa Diretora da organização, nas celebrações da Igreja-Mãe, representaram a tão sonhada unidade no Centenário. Perguntam-me se isso teria sido resultado do movimento que lançamos em nossos blogs. Tenho os pés no chão. Procuro não ser ufanista. Se, por um lado, a nossa luta foi legítima, por outro reconheço que não alcançamos o fim desejado, embora tenhamos contribuído, como elemento de pressão, para que esse gesto protocolar ocorresse. Não se poderia esperar outro comportamento. Prevaleceu o bom senso. Mas ficou muito longe do que, de fato, era o desejo de milhares de assembleianos em todo o Brasil.


Tenho as seguintes razões para pensar desta forma.


Em primeiro lugar, o nosso anseio era que houvesse uma só comemoração, reunindo  CGADB, CONAMAD e Igreja-Mãe. Foi o que propus ao pastor José Wellington Bezerra da Costa e ao Diretor Executivo da CPAD, Ronaldo Rodrigues de Souza, logo após o resultado das urnas, na Assembleia Geral Ordinária da CGADB realizada em Serra, ES, em abril de 2009. Esse foi também o espírito do movimento lançado em nossos blogs. Para que tal objetivo fosse alcançado, havia a necessidade de a celebração ser organizada por uma coordenação que tivesse representantes e contemplasse de maneira justa os ideais das três partes. Essa foi a ideia que passei aos líderes há pouco mencionados. Isso, todavia, jamais aconteceu.

Em segundo lugar, o pastor Samuel Câmara, com justa razão, foi enfático em Cuiabá, MT, por ocasião da última Assembleia Geral Ordinária da CGADB, que não concordava com as celebrações paralelas da CGADB em Belém. Eu também jamais concordei. Inicialmente, quando soube que haveria um evento da organização na capital paraense, pareceu-me tratar-se apenas de um encontro de lideranças, não aberto ao público, para uma celebração interna. Não demorou muito para compreender que a minha percepção estava errada. Havia também a previsão de uma comemoração aberta. Ora, a meu ver, tal iniciativa não tinha o menor cabimento. Mas o pastor da AD centenária disse na mesma fala que, mesmo sem concordar, não tolheria a participação dos membros da Igreja-Mãe no evento. Portanto, é de se pressupor que sua ida, juntamente com o pastor Firmino Gouveia, foi consequência natural do que prometera em Cuiabá e um gesto de consideração para com a CGADB. Ou seja, ele não teria mudado de opinião a respeito.

Em terceiro lugar, a ida dos principais líderes da Igreja-Mãe ao evento promovido pela CGADB criou uma nova situação. Depois disso, seria constrangedor se o nosso presidente, juntamente com a Mesa Diretora, não participasse das festividades da Igreja-Mãe. Sei de fonte fidedigna que teria havido contato prévio para se informar sobre como seriam recebidos, tendo em vista toda a “tensão” vivida durante o planejamento das celebrações, em virtude das causas já aludidas. O fato é que lá estiveram, não houve nenhuma hostilidade, foram bem acolhidos, mas tratou-se simplesmente do cumprimento de um ritual protocolar. Não houve nenhum milagre, nada mudou, o lavar os pés uns dos outros não aconteceu. Isto quer dizer que, embora com a presença de caravanas de várias partes do país, a celebração continuou sendo da Igreja-Mãe, sem as caractarísticas propostas por mim à liderança de nossa Convenção e pelo movimento lançado em nossos blogs. Uma semana antes a CGADB fez o seu evento, a meu ver extemporâneo, porque realizado unilateralmente em Belém, e uma semana depois a Igreja-Mãe fez o seu, perfeitamente legítimo, por ser ela a origem de todas as demais. Esses são os fatos


Com o intuito de reivindicar a pretensa unidade na celebração, alguém poderá dizer que houve, na oportunidade, um acordo para o reconhecimento da CIMADB (Convenção que reúne os pastores da Igreja-Mãe) pela Mesa Diretora da CGADB, com o compromisso de referendá-la posteriormente no plenário convencional, como noticiado no Point Rhema. Mas isso ocorreu sob forte pressão, inclusive de uma liminar que garantia judicialmente esse reconhecimento. Por outro lado, não fazia sentido a CGADB reconhecer outros casos similares no Brasil e postergar a solicitação de Belém por mero capricho ou, provavelmente, pela não concordância da COMIEADEPA. Embora eu entenda que essas homologações plurais de convenções em um mesmo Estado, com jurisdição em outros estados, tornem a nossa estrutura eclesiástica ainda mais tortuosa, esse é o sistema que vigora. Ou seja, deixar de homologar a Convenção da Igreja-Mãe em nada o melhoraria. É o sistema que precisa ser reestruturado, mas aí são outros quinhentos. Assim, se o acordo, de um lado desanuvia o ambiente, de outro só fez formalizar uma situação já existente, resultando apenas na retirada do instrumento judicial que garantia a liminar. Isso em nada mudou o modo como os 100 anos das Assembleias de Deus no Brasil foram e estão sendo celebrados.

A verdade é que o Centenário encerra apenas um capítulo no âmbito dos embates dentro da CGADB. Outro agora se inicia, com o seu ápice previsto para abril de 2013, mês das eleições para um novo mandato à frente da nossa Convenção. Daqui a pouco a campanha estará nas ruas, certamente com o mesmo rito e as mesmas práticas das duas últimas eleições anteriores. Em um polo, o pastor Samuel Câmara como candidato. Pelo menos é o que deduzo das palavras de alguém que se assina por Sóstenes, conforme o printabaixo do seu comentário no Point Rhema. Em outro polo está o pastor José Wellington Bezerra da Costa (o atual estatuto lhe dá direito a uma reeleição) ou outro nome que, eventualmente, ele vier a apoiar. Em outras palavras, a polarização continua e ganhou contornos mais acentuados com o Centenário. É como se fosse um cabo de guerra. Estaremos, portanto, entre duas opções que, a meu ver, não mais atendem aos anseios das Assembleias de Deus no Brasil.







Por essas e outras razões venho falando há mais de um ano na necessidade de uma terceira via para romper com essa polarização, que esgarça cada vez mais a CGADB. Tenho conversado com muita gente, venho divulgando no twitter, e percebo bastante simpatia pela ideia. 

Mas o que é essa terceira via como proposta?

Este será, se Deus quiser, o  tema de minha próxima postagem.


FONTE: http://geremiasdocouto.blogspot.com/

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