sábado, 6 de agosto de 2011

Terceira Via na CGADB: conheça as propostas (1)




Há algum tempo tenho falado sobre a hipótese de uma terceira via na CGADB. Já ventilei o assunto com vários pastores, incluindo-se aí alguns presidentes de convenções estaduais. Encontrei bastante receptividade. Sei que se trata de uma proposta bastante arrojada e que terá de enfrentar muitos desafios para ser viabilizada. Pelos comentários da postagem anterior, e por tantos outros que recebo pessoalmente, percebo, de um lado, terreno bastante fértil, mas, de outro, as legítimas preocupações naturais sobre como lograr êxito diante de um quadro já polarizado entre dois nomes – José Wellington Bezerra da Costa e Samuel Câmara – que certamente estarão mais uma vez, em 2013, postulando a presidência da CGADB.

Tenho por hábito não sonhar acordado. Não vivo de glamour. Os meus pés não pisam as estrelas. Sei que as luzes do palco se apagam. Sei também das imensas dificuldades pela caminho e, sobretudo, busco estar antenado à soberania de Deus, mesmo com todas as minhas ambiguidades e fragilidades. Mas deixo este ponto para a conclusão da postagem. O que desejo destacar, agora, é o fato de nenhuma ideia ter prosperado, não houvesse alguém que tomasse a iniciativa.

Sempre encontramos, ao longo da história, quem estivesse disposto a riscar o fósforo – no bom sentido, é óbvio – e incendiar o mundo com os seus bons ideais (não desconheço também que o mal usa as mesmas ferramentas, às vezes até com mais eficiência). No inicio foi uma pequena chama, que se poderia apagar com o sopro da própria boca. No entanto, muito do que hoje desfrutamos resulta do esforço criativo de pessoas que acreditaram nas suas propostas, embora, inicialmente, parecessem plantar em terreno árido. Com sinceridade, não sei qual será o resultado final da ideia que estamos semeando, mas alguém precisava dar o pontapé inicial. Eu me dispus a fazer isso, com todas as consequências que possa acarretar.  

Em primeiro lugar, a proposta da terceira via na CGADB visa romper a polarização que aí está já há alguns anos, como se houvesse na organização apenas duas pessoas qualificadas para postularem a presidência. Sem entrar no mérito da capacidade dos dois nomes acima citados, há muitos outros quadros na Convenção Geral que têm condições de sobra para exercer a função. O pastor Maurício Brito questiona, em seu comentário à postagem anterior: “Quem se habilita?” É uma pergunta retórica, pressupondo que não há quem tome a iniciativa. Até quando vamos aceitar o status quo? Bem lembrou Carlos Lucena: quanto mais candidatos houver, melhor para a CGADB. O estatuto em vigor contempla essa possibilidade.

Em segundo lugar, a proposta não se vincula, por hora, a um nome. Se viesse já carimbada, perderia finalidade para se tornar apenas mais um projeto político-eclesiástico, com as mesmas nuances negativas que sobrecarregam as duas possíveis candidaturas mencionadas. Neste momento, é extremamente importante que se conheçam as linhas mestras da terceira via para que sejam bem debatidas entre os filiados da CGADB não só para que lhe agreguem valor, mas, sobretudo, para que tenhamos noção exata da sua viabilidade. Mais à frente, com a proposta bem consolidada, se definiria o nome de quem melhor encarnasse os seus princípios. 

Em terceiro lugar, a terceira via não pretende percorrer os caminhos supostamente percorridos pelos postulantes das eleições anteriores, tanto no Ahnembi, em São Paulo, quando a candidatura de “oposição” inaugurou um novo estilo de fazer campanha, quanto em Serra, ES, em que os dois teriam lutado ombro a ombro com as mesmas armas. Recebi por email a informação que uma campanha desse gênero custaria entre cinco e 10 milhões de reais. A ser verdade, e tivesse a terceira via de empregar tal estratégia, já nasceria morta, pois carregaria sobre si o estigma contra o qual temos combatido: o uso de métodos seculares de campanha pouco ortodoxos na CGADB. Lutar contra isso é uma das linhas mestras da terceira via. 

Em quarto lugar, a proposta tem como fim resgatar em nossa CGADB os valores do Reino que tanto pregamos em nossos púlpitos e que, neste trimestre, se constitui a espinha dorsal das lições bíblicas de nossas escolas dominicais. Somos bons em ensinar aos outros, mas ruins quando temos de praticar o que ensinamos. É constrangedora essa afirmação, mas o comportamento de muitos pastores em nossas assembleias convencionais não comporta pensar de outra maneira. Pressupor, por exemplo, como algo natural à vida de uma instituição cristã o modus faciendi  da política secular é visão reducionista e, ao mesmo tempo, dicotômica, como se a vida cristã fosse compartimentada. Aqui se vive de uma forma. Lá se vive de outra. O comportamento que ensinamos aos outros, à luz dos princípios bíblicos, precisamos exigi-los de nos mesmos onde quer que estejamos. A terceira via tem esse ponto como premissa básica. 

Percebo que a postagem se tornará longa, se continuar a apresentar os demais pontos. Ficarão para uma segunda postagem. Todavia, para cumprir o que prometi acima, afirmo que não quero jamais lutar contra a soberania de Deus. O que isso significa no contexto em que escrevo? Pode ser que o propósito divino seja mesmo a implosão do nosso sistema institucional. Se o for, sequer a terceira via será capaz de impedir. Todavia, devo seguir adiante com a proposta por uma razão muito simples: quem sabe o Senhor nos está dando, também, uma última oportunidade para que a vinha floresça? 

Nada melhor, portanto, do que terminar com um dos pedidos da oração do Pai Nosso: “Venha o teu Reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu”, Mateus 6.10.


FONTE: http://geremiasdocouto.blogspot.com/

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