sábado, 6 de agosto de 2011

Terceira Via na CGADB: conheça as propostas (2)




Com esta segunda postagem, espero concluir a apresentação das linhas mestras que formatam a proposta da terceira via na CGADB. Elas não se esgotam em si mesmas. Ao contrário, geram outras perspectivas, que, ao longo do processo, até 2013, adensarão o seu conteúdo e fornecerão aos pastores filiados à CGADB elementos para julgar a sua conveniência como resgate de valores na administração de nossa Convenção Geral. 

Se elas conseguirem criar o tônus necessário na maioria dos pastores para furar o bloqueio que se criou em volta da polarização, a terceira via poderá chegar a bom termo. Em outras palavras, se houver disposição – e essa for a vontade de Deus – poderemos desfrutar de um novo tempo em que a alternância na presidência da CGADB seja vista como algo salutar ao bom desempenho da organização, que, em suma, não deixa de ser uma extensão da própria Assembleia Deus, pois congrega os pastores responsáveis pelo seu pastoreio. 

Feitas essas considerações, passemos aos próximos pontos, seguindo a sequência mantida na postagem anterior. 

Em quinto lugar, a proposta da terceira via reconhece que o sistema denominacional assembleiano não obedece a um critério simétrico em que a administração eclesiástica funcione da mesma forma em todo o Brasil. Há enormes diferenças até mesmo dentro de uma região. Não é preciso ser especialista para perceber que o nosso modelo é híbrido. É uma espécie de arquipélago. Se, por um lado, devemos respeitar as peculiaridades de cada lugar, por outro é necessário lutar para manter a nossa identidade e buscar a coesão, principalmente em relação aos projetos de abrangência nacional. Não é também utópico pensar numa forma de corrigir e aprimorar o nosso modelo mediante planejamento de longo prazo. Algo para ser pensado de forma lenta, racional e consensual.

Em sexto lugar, a proposta também contempla a necessidade de um choque de gestão na administração da CGADB, que, entre outras coisas, torne a entidade autossustentável, ofereça aos seus órgãos condições de exercerem plenamente os seus fins e lhe permita prestar serviços aos seus filiados inerentes à atividade pastoral. Não é justo e nem adequado para a realidade de hoje que os associados sejam chamados a pagar a sua anuidade, mas, ao mesmo tempo, nada se lhes ofereça como meio de ajudá-los no exercício de sua vocação. A título de exemplo, o Concilio Geral das Assembleias de Deus nos EUA dispõe de um fundo para ajudar na plantação de novas igrejas em áreas ainda inexploradas e/ou com poucos recursos. Seria absurdo pensarmos em algo assim? Como se vê, o campo é vasto. 

Em sétimo lugar, a proposta da terceira via reconhece que a CPAD, embora tenha dado um salto de qualidade nos últimos anos, pode ainda aprimorar em muito a sua capacidade de gestão de tal maneira que seja de fato um braço forte da igreja na área literário-teológica e na fomentação da educação cristã. Por ser uma empresa que não distribui lucros, é possível trabalhar com segurança na margem de sua rentabilidade para que os custos sejam menores e as igrejas com menos recursos desfrutem de melhores condições para a aquisição do seu material. Afinal, a CPAD foi criada para servir a Assembleia de Deus. Uma medida imediata seria valorizar o autor nacional de forma que a editora dependesse menos de obras traduzidas e os nossos valores pudessem ter nela um espaço maior para desenvolver o seu ministério. 

Em oitavo lugar, a terceira via entende que a CGADB não pode furtar-se do papel de voz profética no âmbito institucional, como representante das Assembleias de Deus no Brasil. Não basta apenas a presença do presidente em determinados fóruns. É preciso que a ação da entidade vá além disso e faça com que ela se manifeste com clareza em todas as ocasiões que se fizer necessário. Hoje, esse tipo de manifestação soa imperceptível por falta de funcionalidade na estrutura para reagir com rapidez às questões contemporâneas e dar respostas imediatas. 

Em nono lugar, na hipótese de a terceira via vir a ser a alternativa acolhida pela maioria dos filiados à CGADB, sua primeira iniciativa deveria ser convocar de imediato uma reunião com os presidentes de convenções estaduais e outros líderes regionais, que seria realizada, no máximo, 30 dias após a Assembleia Geral Ordinária de 2013, com o propósito de se recolherem por cinco dias para: 1) oração e estudo da Palavra, 2) estabelecer de forma colegiada, juntamente com a nova Mesa Diretora, as diretrizes de ação para o quadriênio, e 3) referendar, com a devida vênia da Assembleia, os nomes que comporão conselhos e comissões da CGADB à luz da nova realidade. Essa seria uma maneira de comprometer toda a liderança assembleiana com o novo projeto, que estaria sendo gestado de forma exequível numa atmosfera fraterna, pacífica e espiritual, com prazo de validade: quatro anos. 

Outros pontos podem ser acrescentados e certamente o serão à medida que a proposta da terceira via se torne robusta. Mas para começar, como pontapé inicial, as linhas gerais aqui apresentadas estão de bom tamanho. Temos uma longa caminhada. Alguém mais apressado dirá: “Mas cadê o programa, com iniciativas concretas?” Primeiro, essa questão não é, agora, prioritária. Segundo, pelo parágrafo anterior, deu para perceber que tal programa seria fruto de decisão colegiada com os presidentes e lideres regionais 30 dias após a Assembleia Geral Ordinária que tenha eleito a nova Mesa Diretora. Terceiro, se cada um se deu ao trabalho de ler nas entrelinhas verá que todas as ações estão aí implícitas. 

Por outro lado, qualquer programa apresentado por postulantes a cargos eletivos, até na atual conjuntura da CGADB, tem mera função eleitoral. É feito para agradar o eleitorado. Promete-se muito, cumpre-se pouco ou nada. Na maioria dos casos, são fantasiosos, como o caso de um candidato a prefeito no Estado do Rio de Janeiro, que prometeu instalar internet de graça em toda a cidade. Foi eleito e até hoje não cumpriu a promessa. E nem vai cumprir.

A proposta da terceira via, se consolidada, não entrará nessa guerra de efeitos especiais. Se o fizer, deixará de ser a alternativa ao que aí está. Ela não é a construção de um só homem. Não é também a construção de um grupo. Não é também fruto de um "colégio cardinalício". É a construção de milhares de mãos que acreditam na possibilidade de se resgatarem os valores do Reino de Deus no âmbito convencional. É a tentativa de agregação que, infelizmente, não aconteceu nas comemorações do Centenário.

Na próxima postagem, se Deus quiser, falarei sobre como seria a caminhada da terceira via até abril de 2013.


FONTE: http://geremiasdocouto.blogspot.com/

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